"Conforto onde não há cura." Em poucas palavras, título de reportagem publicada pelo jornal Tribuna de Minas (24/5) define a essência do cuidado paliativo, especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina em 2011. Em contraponto à escassez do serviço observada na cidade, a publicação destaca o trabalho realizado pela Unimed Juiz de Fora: aqui, os cuidados paliativos fazem parte da Atenção Domiciliar, programa do Espaço Viver Bem que atende cerca de 900 pacientes.
Acesso em todo o mundo ainda é restrito
Alívio do sofrimento, compaixão pelo doente e seus familiares, controle impecável dos sintomas e da dor, busca pela autonomia e pela manutenção de uma vida ativa enquanto ela durar. Esses são alguns dos princípios dos Cuidados Paliativos, definidos pela Organização Mundial de Saúde, em 2002, como uma abordagem ou tratamento que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameacem a continuidade da vida. Mais de 40 milhões de pacientes necessitam, anualmente, de Cuidado Paliativo ao redor do mundo, no entanto, menos de 10% têm acesso a essa modalidade de cuidado, segundo a publicação "Global Atlas of Palliative Care at the End of Life" (2014), organizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) juntamente com a Worldwide Palliative Care Alliance (WPCA).
Enquanto isso, programa da Unimed JF é referência
O presidente da Cooperativa, Hugo Borges, defende a filosofia paliativa dentro do Sistema Unimed. "Repudio a tal obstinação terapêutica desde os meus tempos de faculdade, quando me deparava com o uso continuado e persistente de medidas para prolongar a manutenção dos sistemas vitais biológicos do paciente, retardando o diagnóstico de morte. Há quem entenda tal prática como resultado de um 'ethos' irrefletido de profissionais de saúde que, erroneamente, associam a morte ao fracasso. Na realidade, só prolonga um sofrimento inevitável, sem expectativa de cura, com procedimentos invasivos e, muitas vezes, dolorosos, muito próximos de uma tortura. A decisão de interrupção desses tratamentos é um direito do paciente e, em caso de impossibilidade do exercício da autonomia, dos seus responsáveis."
Ao acompanhar os resultados e a repercussão das práticas paliativas na Unimed Juiz de Fora, o dirigente reforça a vocação da operadora para o cuidado. "A Atenção Domiciliar é mais um serviço de ponta da nossa Cooperativa, referência não só para o Sistema Unimed, mas para todo o país", comemora.
Sociedade tem receio em lidar com a morte
Para o geriatra e paliativista Francisco de Assis Pereira, do Espaço Viver Bem, "a formação convencional não leva em consideração a terminalidade. É voltada para o salvar, o curar e não para a qualidade de vida e o respeito pela vontade". Thathyana Rocha, psicóloga especializada em cuidados paliativos que compõe equipe do Espaço Viver Bem, identifica na sociedade o receio em lidar com a morte, o que leva a um pensamento 'curativo'. "Muitas famílias acreditam que levar para o hospital é a melhor solução. Muitas vezes, não é", explicou à reportagem.
Mais atenção, mais qualidade de vida
A gestora do Espaço Viver Bem, Juliana Albuquerque, destaca que, "para o cuidado paliativo, não existe a frase 'não temos mais nada a fazer por você'". O caso de uma idosa com mais de 80 anos e que surpreendeu a equipe é exemplo. Quem conta é o geriatra Francisco de Assis Pereira. "Ela tinha um tumor ósseo avançado. Chegou para a gente muito emagrecida, com dor, acamada, com depressão e ansiedade. Fomos tratando a dor, conseguimos dar qualidade de vida. A nossa fonoaudióloga tirou a sonda da paciente e ela voltou a se alimentar do que gosta, a sentir prazer em comer. Ela conseguiu estender a expectativa de vida que tínhamos para ela e com qualidade."
A diretora de Provimento de Saúde da Cooperativa, Nathércia Abrão, complementa que o cuidado paliativo reforça o investimento da Unimed Juiz de Fora na mudança no modelo de atenção à saúde. "Nosso foco é sempre a melhoria da qualidade de vida."
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