Medicina de qualidade, com resultados efetivos e investimentos justos. Em torno desse mote, a "Capacitação especializada em órteses, próteses e materiais especiais" desenvolveu uma série de abordagens e discussões que envolveram mais de 130 participantes, na última sexta e sábado (15 e 16), na sede da Sociedade de Medicina e Cirurgia. A Unimed Juiz de Fora, em parceria com a Intrafederativa Zona da Mata Mineira, recebeu gestores, cooperados, auditores, corpo técnico e representantes da rede prestadora da cidade e região para, juntos, discutirem um dos temas mais urgentes da Saúde hoje.
Cenário em detalhes
Ano passado, as OPMEs movimentaram R$ 20 bilhões no mercado de saúde pública e privada do país. Desse montante, R$ 12 bilhões foram aplicados pela saúde suplementar. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) apontam que, se nos últimos dez anos, a curva de receita com planos mostrou-se ascendente, as despesas assistenciais das operadoras médico-hospitalares seguiram o mesmo ritmo: no primeiro semestre de 2014, a sinistralidade já alcançava 84,9%.
Os números, apresentados pelo presidente da Unimed Juiz de Fora, Hugo Borges, versam sobre um problema mundial, mas que "tem se apresentado de maneira mais forte no Brasil, preocupando matrizes internacionais. As perspectivas são igualmente preocupantes", destacou o dirigente. Hoje, a saúde suplementar concentra 50,8 milhões de beneficiários, ou seja, mais de 25% da população brasileira, segundo informações da ANS. Em 15 anos, essa mesma população representará um desafio ainda maior para o sistema de saúde: 19% dos beneficiários estarão em faixas etárias da 3ª idade; em 2050, o índice pode chegar a 30%.
A teoria na prática
"Você já pensou o quanto representam as OPMEs no seu custo assistencial?" A enfermeira Andrea Bergamini, coordenadora técnica do Comitê Técnico Nacional de Produtos Médicos (CTNPM) do Sistema Unimed, abriu sua apresentação instigando o debate, a participação do público. Vem a resposta daquela primeira pergunta, uma conta que parece não fechar: as órteses, próteses e materiais especiais já consomem cerca de 13% do faturamento bruto das prestadoras e a tendência de utilização é crescente. "As operadoras precisam gerir seus custos assistenciais, mas 'não se gerencia o que não se mede' [Peter Drucker]. É preciso trabalhar com indicadores que identifiquem pontos de atenção e melhoria dos processos", alertou.
A manhã de sexta-feira (15) foi de contextualização do tema, desde as estratégias de auditoria e normativas dos órgãos reguladores, passando pela incorporação de novas tecnologias, medicina baseada em evidências, até o que acontece no mundo - as más práticas médicas denunciadas pela mídia. Para apoiar os profissionais que lidam diretamente com as OPMEs, dicas de ferramentas úteis, como buscas no site da Anvisa.
À tarde, foco na atualização em cardiologia (cirúrgica e intervencionista), com início das atividades de workshop. "É um assunto muito técnico, complexo. Muitas vezes, os profissionais não conhecem os produtos que estão liberando. Por isso é importante o aprendizado visual", explicou Andrea. A capacitação, que reuniu segmentos e níveis de conhecimento distintos, mostrou, na teoria e na prática, o que é rotina em um setor de OPMEs. "Ainda há muito desperdício. O intuito é orientar a revisão de processos; melhorar a interação entre os agentes envolvidos, estes voltados para o mesmo objetivo: qualidade assistencial com um custo viável", avaliou a especialista. No sábado, 16, vez da atualização em endovascular, neurointervenção e artroplastia, com sequência do workshop.
Fortalecer o diálogo e a parceria
Para o presidente Hugo Borges, a Unimed Juiz de Fora dá mais um passo na direção de outro modelo de relacionamento com seus prestadores de serviços médico-hospitalares, fortalecendo o sistema de saúde suplementar na cidade, bem como no seu entorno. "Buscamos um novo posicionamento, onde todos os 'atores' da cadeia de valor da saúde regional sejam protagonistas nessa busca de soluções para racionalizar os custos assistenciais, com a mesma eficiência e eficácia da atenção já prestada aos mais de 300 mil clientes Unimed na Zona da Mata".
O diretor Administrativo-Financeiro da Cooperativa, Darlam Kneipp, vê no diálogo franco, sem preconceitos, o caminho para dirimir tensões. "O objetivo é a maximização das negociações entre fornecedores, operadora e prestadores. É fundamental não perdermos de vista a qualidade do material, que deve ser adquirido a um preço justo." Ele também relaciona a gestão eficiente dos recursos à valorização profissional: "Somos uma cooperativa, e a remuneração médica está intimamente ligada aos resultados da operadora".
Foco no paciente
A geração de valor para clientes, médicos cooperados e rede credenciada também é observada pela diretora de Provimento de Saúde da Cooperativa, Nathércia Abrão. "A discussão aqui vai muito além do gerenciamento de custos. Nossa atenção também está voltada para o cuidado e qualidade da assistência com foco no paciente." O gerente de Provimento de Saúde, Luis Carlos Lopes, completa: "Não adianta apenas controlar despesas se o critério de indicação e elegibilidade for inadequado ou incorreto. Devemos priorizar, sempre, o bem-estar do beneficiário".
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